Uberaba / MG - quarta-feira, 18 de julho de 2018

Endometriose

O que é endometriose?


O endométrio é a camada de tecido composto por glândulas e estroma, que recobre internamente a cavidade do útero, sendo responsável pela menstruação quando descama ao final de um ciclo menstrual. A endometriose é uma importante doença ginecológica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, ou seja, em qualquer outro lugar do corpo.


Existem várias teorias descritas em épocas distintas que tentam explicar a(s) causa(s) provável(is) da endometriose. Entretanto, parece que nenhuma destas teorias consegue explicar isoladamente o que causa esta intrigante doença.


  • Embriológica: Foi descrita no final do século XIX. Esta teoria propunha que a endometriose se originaria de remanescentes dos ductos de Wolff (Von Recklinghausen, 1885) ou remanescentes dos ductos de Müller (Thomas Cullen, 1896; Iwanhoff, 1898; Russell, 1899), que sofreriam processo de metaplasia transformando-se em tecido endometrial.
  • Metaplasia celômica: Proposta por Iwanhoff e Meyer, esta teoria sugere que as células celômicas que são totipotenciais e que estão presentes no peritônio e nos ovários, podem ser induzidas a se diferenciar em endometriose. Irritações repetidas do epitélio celômico, associada a uma variedade de fatores comuns, estímulos hormonais ou infecciosos, podem induzir células celômicas a se transformar em tecido endometrial.
  • Implantação: Também conhecida como teoria da menstruação retrógrada ou teoria de Sampson foi proposta pela primeira vez em 1927 por John Albertson Sampson. Esta teoria propõe que o tecido endometrial reflui retrogradamente pelas trompas em direção à cavidade pélvica e se implanta na superfície peritoneal e nos órgãos pélvicos e abdominais. Apesar das evidências esta teoria não consegue explicar todos os casos de endometriose e porque a endometriose só ocorre em cerca de 10% das mulheres apesar da menstruação retrógrada ocorrer provavelmente todas elas.
  • Disseminação linfática e hematogênica: Estas teorias foram propostas para explicar a presença de endometriose em locais fora da cavidade peritoneal. Desta forma as células endometriais se disseminariam para outros locais através do sistema linfático e vascular. A disseminação linfática foi proposta por Halban.
  • Extensão direta: Esta teoria sugere que a endometriose decorre da invasão pelo endométrio ectópico da musculatura uterina e da invasão direta de outras estruturas contiguas ao útero, como Poe exemplo a bexiga e uretra.
  • Iatrogênica ou mecânica: Esta teoria foi proposta em várias publicações por diversos autores. Propõe que a implantação de células endometriais durante a cirurgia levaria a endometriose de cicatriz cirúrgica, explicando, portanto o aparecimento de focos de endometriose nas cicatrizes de laparotomia (cirurgia abdominal) e de episiotomia (parto normal).
  • Composta: Proposta por Javert, esta teoria propõe que uma combinação de várias teorias como da implantação, disseminação linfática/hematogênica e da extensão direta poderia explicar a endometriose.


Quadro Clínico da Endometriose


A endometriose é uma doença crônica com tendência evolutiva e pode cursar com uma ampla gama de sinais e sintomas. O quadro clínico pode variar bastante dependendo da severidade ou do grau da endometriose e dos órgãos envolvidos pela patologia.

  • O sintoma mais comum da endometriose é a dor na região pélvica em geral o quadro doloroso ocorre inicialmente durante o período menstrual (dismenorréia) com intensidade moderada a severa, levando muitas vezes a necessidade do uso de medicamentos analgésicos. A dor tem caráter variável podendo ser tipo cólica, em pontada, latejante ou em pressão. O sintoma doloroso costuma apresentar piora progressiva com o passar do tempo e a paciente pode cursar com dor também fora do período menstrual. Entretanto a sintomatologia nem sempre é diretamente proporcional à severidade da doença, ou seja, pacientes com doença avançada podem apresentar poucos sintomas e outras com doença leve podem cursar com dor intensa.
  • A dispareunia (dor na relação sexual) pode aparecer desde o início da doença, mas ocorre principalmente nos casos de endometriose da região do fundo de saco posterior, (posterior ao útero, entre este e o reto) ou endometriose de septo reto-vaginal, e nos casos de aderências pélvicas.
  • A infertilidade é um problema muito comum em pacientes com endometriose pélvica. Das mulheres com endometriose 20% a 40% apresentam infertilidade e cerca de 25% das pacientes inférteis tem esta doença em graus variáveis.
  • O sangramento anormal também é um sinal freqüente na endometriose. Geralmente ocorre na forma de pequeno sangramento no meio de ciclo “spotting” ou mancha pré menstrual.
  • Sintomas relacionados ao acometimento de outros órgãos pela endometriose podem estar presentes. O acometimento intestinal pode levar à constipação, dor à defecação e em alguns casos ao sangramento à defecação (hematoquesia). Sintomas urinários como hematúria (sangue na urina), disúria (dor ao urinar) e dor lombar são comuns quando há acometimento da bexiga e do ureter pela doença.
  • A dor cíclica e edema de regiões cicatriciais ocorrem habitualmente nos casos de endometriose de cicatriz cirúrgica, mais comumente nas cirurgias abdominais e nas cicatrizes de episiotomias (incisões no períneo nos partos normais).
  • O acometimento dos pulmões e pleura pode levar a sintomas como o hemotórax (sangue no espaço pleural), pneumotórax (ar entre a pleura e o pulmão) e a hemoptise catamential (escarro sanguinolento no período menstrual).


 

Diagnóstico da endometriose


O diagnóstico adequado e precoce da endometriose é essencial para uma seleção correta do tratamento e acompanhamento da paciente. Tanto o superdiagnóstico quanto o subdiagnóstico podem trazer consequências desastrozas para as pacientes. Portanto é importante conhecer as formas de diagnósticar e como e quando utilizar os métodos diagnósticos para a endometriose.

  • O diagnóstico clínico de certeza da endometriose é extremamente difícil, senão impossível, visto que não existe um método de diagnóstico não invasivo ou marcador biológico que nos de este diagnóstico com 100% de acerto.
  • O diagnóstico de certeza da endometriose se faz através de confirmação histopatológica (biópsia) de tecido suspeito habitualmente coletados por um procedimento de videolaparoscopia ou através das lesões características da endometriose observadas na laparoscopia.
  • A avaliação clínica pode, no entanto, ser bastante útil na identificação daquelas pacientes que deveriam ser submetidas a videolaparoscopia para a confirmação da doença. Esta avaliação consiste na associação dos fatores de risco para endometriose, dos sintomas e dos achados no exame físico da paciente.


 

Como se trata?


O tratamento vai depender da idade da paciente, da extensão da doença, da severidade dos sintomas, da duração da infertilidade e dos planos reprodutivos do casal.

Os tratamentos incluem desde a observação em pacientes assintomáticos e não desejosas de gestação, uso de analgésicos para a dor moderada, a interrupção dos ciclos menstruais com ACO usados de modo continuo por 6-12 meses, progesterona de uso diário ou depósito ,medicamentos que inibem o funcionamento dos ovários e os tratamentos cirúrgicos , destruindo o tecido endometrial, removendo todas as lesões e restaurando a anatomia pélvica tanto quanto possível.

A ressecção das lesões por laparoscopia aumenta as chances de gestação em mulheres inférteis.

Os sintomas e o desejo de engravidar vão determinar a terapia mais adequada.

 

Disponível em: www.portaldaendometriose.com