Uberaba / MG - quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Gestantes e Viagens Aéreas


 

Viagens aéreas e gravidez: novas recomendações do Royal College of Obstetricians & Gynaecologists

 
Viagens aéreas e gravidez: novas recomendações do Royal College of Obstetricians & Gynaecologists
 

Para quem é esta informação?

Esta informação é para grávidas que estão pensando em viajar de avião. A informação é relevante para viagens de curta distância (menos de quatro horas), média e longa distâncias (mais de quatro horas de voo).

Membros de uma tripulação de voo ou pessoas que voam frequentemente como parte de seu trabalho devem procurar aconselhamento adicional no departamento de saúde1 ocupacional a respeito de sua própria situação.

Voar faz mal para grávidas ou bebês2?

Se a gravidez3 não é de risco, voar não é prejudicial para a gestante ou para o bebê. Em mulheres saudáveis e em gestações sem riscos, não há evidências de que as mudanças na pressão e/ou na umidade do ar tenham efeito nocivo sobre a gestante ou o seu bebê.

Não há evidências de que o voo cause aborto espontâneo, parto prematuro ou ruptura prematura da bolsa de águas.

Qualquer pessoa que voa está exposta a um ligeiro aumento na exposição à radiação. Voos ocasionais não são considerados representantes de risco para gestantes ou bebês2.

Quando é o momento mais seguro para voar durante a gravidez3?

  • Antes de 37 semanas, se a gravidez3 é de apenas um bebê. A partir de 37 semanas de gravidez3, a gestante pode entrar em trabalho de parto a qualquer momento, por isso muitas mulheres optam por não voar após este período.
  • Antes de 32 semanas, se a gravidez3 é gemelar não complicada.

Grávidas estão expostas a risco aumentado de problemas se viajarem de avião?

Algumas mulheres grávidas podem sentir desconforto durante o voo, tais como:

  • Inchaço4 das pernas devido à retenção de líquidos (edema5).
  • Congestão nasal/problemas nos ouvidos: grávidas são mais propensas a apresentar congestão nasal e, combinado a isso, as mudanças na pressão do ar também podem fazer com que elas tenham problemas nos ouvidos.
  • Grávidas com cinetose6: o voo pode piorar os sintomas7 da cinetose6 em grávidas, tornando os enjoos de viagens piores.

A trombose venosa profunda8 (TVP)

A TVP é um coágulo9 sanguíneo que se forma na perna ou na pelve10. Se este coágulo9 alcançar os pulmões11, ocorre uma embolia12 pulmonar, a qual pode ser fatal. Durante a gravidez3 e por até seis semanas após o nascimento do bebê, há um maior risco de desenvolver uma trombose venosa profunda8 em comparação com mulheres que não estão grávidas.

Existe um risco aumentado de desenvolvimento de uma TVP durante o voo, devido à posição sentada por tempo prolongado. O risco de TVP aumenta com a duração do voo. O risco também é maior se há fatores de risco adicionais, como uma trombose venosa profunda8 anterior ou sobrepeso13. O risco individual precisa ser avaliado pelo obstetra.

O que fazer para reduzir o risco de uma trombose venosa profunda8?

Em voos de curta distância (menos de quatro horas) é pouco provável que sejam necessárias quaisquer medidas especiais. O obstetra deve avaliar o risco para trombose14 venosa e aconselhar cada caso individualmente.

Para minimizar o risco de uma trombose venosa profunda8 em um voo de média ou longa distância (mais de quatro horas), deve-se:

  • Usar roupas e sapatos confortáveis e soltos.
  • Tentar obter um assento no corredor e fazer caminhadas regulares dentro do avião.
  • Fazer exercícios no próprio assento a cada 30 minutos, como mexer os pés fazendo círculos e movimentos de vai e vem.
  • Beber água em intervalos regulares durante todo o voo.
  • Evitar bebidas que contenham álcool ou cafeína (café, refrigerantes).
  • Usar meias elásticas de compressão graduada indicadas pelo médico, que fornecerá o tipo e o tamanho corretos para cada pessoa.

Pessoas que tenham outros fatores de risco para a TVP, independentemente da duração do voo, podem ser aconselhadas a tomar injeções de heparina. Elas diluem o sangue15 e ajudam a prevenir a TVP. A injeção16 de heparina deve ser prescrita por um médico, aplicada no dia do voo e mantida diariamente por alguns dias depois. Por motivos de segurança, é necessária a prescrição médica para que seja permitido carregar as injeções no avião.

Baixas doses de aspirina não parecem reduzir o risco de uma trombose venosa profunda8, mas ela deve ser mantida caso tenha sido receitada por outros motivos.

Há circunstâncias em que uma gestante pode ser aconselhada a não voar?

Há condições de saúde1 ou problemas médicos que podem complicar uma gravidez3 e colocar a gestante e o bebê em risco.

Uma gestante pode ser aconselhada a não voar:

  • Se está em maior risco de entrar em trabalho de parto prematuro.
  • Se tem anemia17 grave. Isto é, quando o nível de glóbulos vermelhos no sangue15 é inferior ao normal. Os glóbulos vermelhos contêm hemoglobina18, pigmento rico em ferro, que transporta oxigênio para todo o corpo.
  • Se tem anemia falciforme19 (uma condição que afeta as células20 vermelhas do sangue15) e teve recentemente uma crise falciforme.
  • Se a gestante teve recentemente sangramento vaginal significativo.
  • Se tem uma condição séria que afete os pulmões11 ou o coração21 e que torne a respiração difícil.

É importante discutir quaisquer problemas de saúde1 ou complicações na gravidez3 com o obstetra antes de voar. Gestantes com uma chance maior de aborto ou gravidez ectópica22 devem fazer uma ecografia23 para se tranquilizar antes de voar.

É importante que a gestante esteja ciente de que algo inesperado pode acontecer durante a viagem, o que pode atrasar o seu regresso. Algumas companhias aéreas não permitem que uma pessoa voe caso tenha fraturado um osso, tenha uma infecção24 mais grave no ouvido médio25 ou nos seios da face26 (sinusite27) ou fez recentemente alguma cirurgia no abdômen que envolva o intestino, como a remoção do apêndice, por exemplo.

Quais as perguntas que devem ser feitas para ajudar uma gestante a tomar a decisão de voar ou não?

Para ajudar a se decidir a voar ou não, uma gestante deve pensar sobre sua própria história médica e quaisquer riscos que ela apresente. As seguintes perguntas podem também ajudar a tomar uma decisão:

  • Por que você quer voar neste momento particular?
  • Seu voo é realmente necessário?
  • Quanto tempo vai durar o seu voo? Será que isto vai aumentar o risco de problemas de saúde1?
  • Quantas semanas de gravidez3você terá quando você for sair para viajar e quando você retornar?
  • Como são as instalações médicas no seu destino, no caso de uma complicação inesperada com a sua gravidez3?
  • Você já tomou todas as vacinas e/ou medicações relevantes para o país para onde você está viajando? Você verificou com o seu médico como estas condições podem afetar a sua gravidez3?
  • Será que o seu seguro de saúde1de viagem cobre as despesas e cuidados que você e seu bebê podem precisar se você der à luz de forma inesperada? Há grande variação entre as companhias aéreas e as políticas de seguro de viagem, por isso vale a pena conferi-las antes de decidir voar.
  • Você discutiu seus planos de viagem com o seu obstetra e informou-o do tempo de duração do seu voo?

A chance de entrar em trabalho de parto é menor quanto mais longe a gestação estiver do final. Também é importante lembrar que ter um aborto, se você voar ou não voar, é comum (uma em cada cinco gestantes) nos primeiros três meses de gravidez3.

O que uma grávida deve levar na viagem?

  • Anotações sobre a sua gravidez3.
  • Qualquer medicamento que esteja tomando.
  • Se uma gestante está com mais de 28 semanas de gravidez3, a companhia aérea pode pedir-lhe para obter uma carta do médico afirmando quando é a data provável do parto e confirmando que a gestante está em boa saúde1, está tendo uma gravidez3sem riscos e não corre qualquer risco aumentado de complicações.
  • Qualquer documento necessário para confirmar a data provável do parto e se ela está apta a voar. Algumas companhias aéreas têm seus próprios formulários/documentos que precisam ser preenchidos em qualquer fase da gravidez3. Contate a companhia aérea se tiver alguma dúvida.
  • Documentos de seguro de viagem.

A gestante tem que passar por um scanner de segurança?

Toda gestante terá que passar pelas verificações de segurança normais antes de voar. Isso não é considerado um risco para ela ou para o bebê.

A gestante pode usar o cinto de segurança?

Toda gestante deve usar o cinto de segurança, garantindo que o cinto de segurança esteja na posição correta. É possível pedir por uma extensão para o cinto de segurança aos atendentes de voo, caso necessário.

O que acontece se uma gestante entra em trabalho de parto durante um voo?

Qualquer grávida tem uma pequena chance de entrar em trabalho de parto prematuro ou de ter a bolsa de águas rompida repentinamente. Se isso acontecer durante um voo, não há nenhuma garantia de que outros passageiros ou tripulantes estejam treinados e tenham experiência para ajudá-la a dar à luz com segurança. Como resultado, o piloto pode ter que desviar o voo para obter ajuda para a gestante.

 

Fonte: Royal College of Obstetricians & Gynaecologists

 

NEWS.MED.BR, 2015. Viagens aéreas e gravidez: novas recomendações do Royal College of Obstetricians & Gynaecologists. Disponível em: <http://www.news.med.br/p/saude/743102/viagens-aereas-e-gravidez-novas-recomendacoes-do-royal-college-of-obstetricians-amp-gynaecologists.htm>. Acesso em: 11 fev. 2015.